Weyes Blood - And In The Darkness Hearts Aglow Vinyl - Vinyl Record
RELEASE

Weyes Blood - E na Escuridão, Corações Incandescentes

LABEL:   Sub Pop

ARTISTS: Weyes Blood
RELEASE DATE: 2022-11-17
CATALOGUE NUMBER: SP1485
FORMAT: 12" Vinyl
STYLE: Baroque Pop, Dream Pop, Indie Rock, Soft Rock, Art Rock, Alt-Pop

Olá, ouvinte,

Bem, aqui estamos! Ainda fazendo tudo acontecer no nosso próprio e plenamente funcional show de merda. Meu coração, como um bastão luminoso que foi quebrado, acende meu peito numa pequena explosão de sinceridade. E quando o seu coração está em chamas, a fumaça entra nos seus olhos.

Titanic Rising foi o primeiro álbum de três numa trilogia especial. Foi uma observação do que estava por vir, os sentimentos de desgraça iminente. E em Darkness, Hearts Aglow trata-se de entrar na próxima fase, aquela em que todos nós nos encontramos hoje — estamos literalmente no meio disso. Tateando no escuro em busca de sentido num tempo de instabilidade e mudança irrevogável. Procurando brasas onde antes havia fogo. Buscando liberdade dos algoritmos e de um destino de voltas repetitivas. A informação é abundante e, ainda assim, tão abstrata no seu uso e na sua capacidade de provocar ações concretas. Nossos meios de comunicação estão cheios de ressalvas. Nossa dor, uma piada irônica nascida de um panóptico engarrafado, feito por nós mesmos, girando rumo ao infinito.

Eu fazia muitas perguntas enquanto escrevia estas canções, e o isolamento extremo não parava de aparecer para mim. “It’s Not Just Me, It’s Everybody” é um hino budista, envolto na interconexão de todos os seres, e no esgarçamento do nosso tecido social. Nossa cultura depende cada vez menos das pessoas. Isso gera um novo nível de isolamento, sem precedentes. A promessa de que podemos comprar uma saída para esse vazio oferece pouco consolo diante do medo com que todos nós agora vivemos – o medo de nos tornarmos obsoletos. Há algo fora do lugar e, embora a sensação apareça de forma diferente para cada indivíduo, ela é universal.

A tecnologia está colhendo a nossa atenção, afastando-a uns dos outros. Todos nós temos uma “Grapevine” entrelaçada ao nosso passado, com feridas e dores não resolvidas. Estar apaixonado não significa necessariamente estar junto. Por que, então, tantas canções de amor anseiam por uma ligação?

Será narcisismo? Nós nos incentivamos a aspirar – a buscar o externo para apaziguar nossos desejos, pensando que metas de bem-estar e felicidade vão aliviar a ansiedade de base de viver num tempo como o nosso. Achamos que a resposta está fora de nós, por meio da tecnologia, de fronteiras imaginárias que magicamente nos absolverão de todos os nossos problemas. Procuramos em todo lugar, menos em nós mesmos, por um bálsamo. Em “God Turn Me into a Flower”, eu relato o mito de Narciso, cuja obsessão por um reflexo numa poça o leva a definhar e perder toda percepção fora de sua paixão. Num estado de grande soberba, ele não reconhece que aquilo que desejava com tanta paixão era, no fim, apenas ele mesmo. Deus o transforma numa flor maleável que balança com o universo.

A maciez maleável de uma flor tornou-se meu mantra enquanto avançamos a toda velocidade rumo a um destino incerto. Vejo o coração como um guia, com uma emanação de esperança, brilhando através desta era sombria. Em algum ponto do caminho, perdemos o fio da meada sobre quem somos. O caos é natural. Mas também é a negentropia, ou a tendência de as coisas caírem em ordem. Estas canções talvez não sejam manifestos nem soluções, mas eu sei que elas lançam luz sobre o sentido do nosso desencanto contemporâneo. E talvez isso seja o começo da jornada sutil rumo a compreender, mais uma vez, os ciclos naturais de vida e morte.

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