Selecionado pelo DJ Alfredo - PARAÍSO - O Verdadeiro Espírito de Ibiza
LABEL: RebirthEm 2022, Daniele “Shield” Contrini, da Rebirth Records, propôs Paraíso ao próprio grande homem: uma coletânea em homenagem ao legado de Alfredo. Após a morte de Alfredo, em dezembro de 2024, o projeto se concluiu, com artistas se unindo para honrar sua visão e sua memória.
Antes de se tornar um ponto de encontro mundial da vida noturna, Ibiza encarnava a liberdade — um lugar em que os amanheceres se confundiam com os entardeceres e a música virava um modo de viver. Nas décadas de 1950 e 1960, a ilha atraiu artistas, hippies e gente à margem em busca de fuga e liberdade criativa.
Em 1976, Alfredo Fiorito, fugindo da repressão política na Argentina, chegou a Ibiza e ficou. Ex-jornalista musical, logo começou a tocar como DJ no Amnesia, uma casa de fazenda transformada em clube, onde o tempo se dobrava e as fronteiras se desfaziam. Com seleções ecléticas, que desafiavam gêneros, Alfredo misturava reggae, flamenco, soul, rock e o house dos primórdios, criando uma energia hipnótica que cativou uma geração.
DJs britânicos como Trevor Fung, Paul Oakenfold e Danny Rampling levaram esse “Balearic Beat” de volta para casa. Mas Balearic não era um estilo; era um jeito de pensar. Como disse o DJ Leo Mas, era “um estado de espírito”, em que ritmo, alma e psicodelia se fundiam.
Outros clubes como KU, Es Paradis, Pacha e Lola’s ampliaram o movimento. Artistas visuais como Yves Uro lhe deram uma identidade marcante, e DJs como César de Melero, DJ Pippi e Jon Sa Trinxa levaram o som a uma nova era. As sessões ao pôr do sol de José Padilla no Café del Mar deram origem à música de relaxamento como respiro, não apenas batida.
Mas a década de 1990 trouxe mudanças. Leis que exigiam cobertura nos clubes alteraram a magia ao ar livre. A mercantilização veio em seguida; a liberdade virou luxo, e muitos pioneiros foram embora.
Ainda assim, o espírito Balearic vive — cru e indomado. Ele pulsa em festas escondidas, em lugares acolhedores como Pikes e Hostal La Torre, e em lugares sagrados como Benirrás e Las Dalias.
Com 16 faixas do som Balearic clássico e autêntico, ao lado de faixas de house e proto-house que o Sr. Fiorito tocava, o álbum também inclui uma faixa inédita de Alfredo e se firma como um tributo ao homem, à música e ao espírito duradouro da verdadeira Ibiza.