Braen & Peymont - País sob Investigação
LABEL: Musica Per ImmaginiNo fim dos anos sessenta, à produção de trilhas sonoras para pequenos e grandes clássicos do cinema italiano soma-se agora outra atividade que se mostrou menos lucrativa, porém mais criativa e, no melhor dos casos, livre das amarras impostas pelos clientes de plantão: a composição de acervos musicais. Quase todos os artistas da oitava arte concluíram ao menos um ou mais acervos musicais. Nomes famosos e desconhecidos, compositores antigos e jovens, verdadeiros forasteiros e meteoros, em geral escondidos atrás de pseudônimos: é o caso, por exemplo, de Braen e Peymont. O primeiro dispensa apresentação: foi o nome adotado pelo ex-arranjador, multi-instrumentista, cantor e compositor Alessandro Alessandroni. O segundo está intimamente ligado ao misterioso compositor americano, porém radicado na Itália, David Hoyt Kimball. Os dois são autores, em diferentes medidas, de um álbum interessante de base experimental, “Paese Sotto Inchiesta” (1971), publicado originalmente pela Flirt Records. Os títulos das faixas aparecem em conexão com o clima sociocultural da Itália após 1968 e podem ser recolocados como pano de fundo para imagens de tom jornalístico. Esta última é uma hipótese não amparada por fatos, mas alguns títulos parecem se referir à percepção de um atraso econômico persistente das regiões do sul em comparação com as demais; a uma situação de tensão coletiva, graças às revoluções globais; além das novas preocupações de fundo ecológico. No conjunto, as dezessete faixas do álbum são em sua maioria “sujas”, caracterizadas por uma configuração até mesmo atonal, com longas repetições em chave ruidosa, reverberações e ecos mais fundamentais para os diferentes instrumentos de teclado. Em poucas palavras, sons abstratos, algumas notas de guitarra, ecos do Gruppo Di Improvvisazione Nuova Consonanza, melodias de flauta e intuições protoambientais. Compositores como Alessandro Alessandroni e David Hoyt Kimball merecem ser redescobertos. *Seguindo a essência da obra, para esta prensagem, a MPI lança um vinil 100% reciclado que reduz o desperdício, minimiza o impacto ambiental e apoia o planeta* *1ª prensagem: edição limitada de 400*